A virtude da empatia


Postado em: 01/09/2016 00:00:00
Em julho e agosto passados o mundo se viu envolvido em dois grandes momentos: a Jornada Mundial da Juventude (evento religioso católico) e as Olimpíadas no Rio (competição esportiva e pluricultural). O que existe em comum entre esses eventos tão diferentes? Poderíamos arriscar e afirmar que a prática da virtude da empatia. Etimologicamente a palavra empatia, que vem do grego "empathéia", significa "ver o mundo com os olhos do outro" ou "entrar no sentimento do outro". Que lições podemos aprender desses eventos? Quando vemos o mundo com os olhos do outro, acontece o milagre da convivência fraterna; da interação de povos e nações; da percepção de que somos diferentes, mas não desiguais; da receptividade e acolhida do outro; da abertura para o diferente; da festa diante do encontro com o outro. A empatia é um caminho que nos conduz para a ética de um mundo melhor e mais humanizado, onde acreditamos que somos parecidos, moradores de uma casa comum (mundo) e de alguma forma irmanados. Essa consciência permite então a construção de uma nova história e de novas relações. E vimos e sentimos que isso é possível. A empatia é o desafio frente ao individualismo que marca o nosso tempo. É a base para a edificação de relacionamentos autênticos. A empatia desata os nós mais complexos da realidade humana, pois nos desafia romper barreiras e ir ao encontro do outro. A empatia não fala a linguagem política e econômica, mas a linguagem do coração. É preciso exercitar a nossa capacidade de empatia. "Só se vê bem com o coração...", afirmava o diálogo entre a raposa e o pequeno príncipe. A empatia é a amiga da compreensão; é comadre da generosidade e é filha da humildade. Será que não estamos precisando de pitadas de empatia no nosso dia a dia? Padre Marcelo