Desafios da Pastoral e evangelização da juventude


Postado em: 01/07/2016 00:00:00
Lendo o documento 85 da CNBB, "Evangelização da Juventude, Desafios e Perspectivas Pastorais", sinto que, com toda experiência, história, organização, estudiosos, os desafios são os mesmos diante do mundo que vivemos. A diferença? As novas gerações nascem configuradas nessa nova matriz cultural. A nova maneira de entender o ser humano mostra que nem a Igreja recebeu as verdades prontas do céu nem a ciência construiu suas certezas com o recurso exclusivo da razão. Tudo é fruto de um longo e penoso processo de aprendizagem cultural. Vivemos um mundo plural, multireferencial, aberto a diversas escolhas, muitas delas consideradas contraditórias pela razão, mas não pelas escolhas do coração. Nem consideradas excludentes. Quanto ao tempo, vivemos a gerir urgências. Felicidade é para hoje; se puder, para ontem. O espaço flui, se desloca com rapidez. Seja pelo acesso à rápida mobilidade física, ou à onipresença virtual. A tela traz e leva a imagem rapidamente. O virtual é real. Narrativa e transmissão tornam-se longas. História e ação social cedem lugar e deslocam-se para a vida privada e subjetividade. A prioridade: tornar-se sujeito de si mesmo. No artigo "Catequese com jovens: desafios e esperanças", Solange Maria do Carmo e João Ferreira Jr. apontam como desafios "alguns pontos que mostram como se tornou difícil o diálogo entre fé cristã católica e o mundo da juventude". Na verdade, juventudes, dada a multiplicidade de condições juvenis presentes na sociedade brasileira. Demonstram: 1) a moral sexual da Igreja; 2) as celebrações litúrgicas; 3) a linguagem da fé; e 4) o modelo de comunidades eclesiais que prevalece em nossas paróquias. A experiência humanizante de fé em Jesus na construção da identidade requer uma comunidade onde o clima de união e convívio facilite a partilha de momentos de intensidade emocional com outros irmãos na fé. A adesão dependerá do investimento pessoal e retorno que esse engajamento proporcionará. Assim a ética, a moral será uma construção interior, não uma norma a seguir. Segundo os autores do artigo, o desafio será fazer a ruptura com a nossa herança pastoral. Padre Kiyoharu Ojima